Seja você um marceneiro profissional com anos de oficina ou um hobbista apaixonado que está montando sua primeira bancada, você provavelmente já passou por isso: olhar para uma prancha de madeira bonita na madeireira e se perguntar: "Será que essa madeira serve para uma área externa?" ou "Esse material vai empenar se eu fizer um tampo largo?".
Escolher a espécie certa vai muito além da cor e do desenho dos veios. Muitos são os fatores que importam na escolha da madeira, mas eu diria que os três principais são:
- Trabalhabilidade: A densidade (se a madeira é muito pesada ou não), a facilidade de usinar, colar e dar acabamento.
- Dureza Janka: Mede a resistência a riscos, amassados e impactos (essencial para tampos de mesa, bancadas de oficina e pisos).
- Contração e estabilidade dimensional (retratibilidade): O quanto a madeira "trabalha" (reage, expande e contrai) conforme a umidade do ar varia.
Para ajudar você a trabalhar de forma inteligente e segura, reunimos as melhores fontes oficiais do Brasil para você pesquisar qualquer espécie de madeira antes de fazer o primeiro corte.

O que observar na imagem acima: Como você pode ver nesta xiloteca (uma biblioteca científica de amostras de madeira), a diversidade de cores, densidades e texturas das espécies é impressionante. Para traduzir essa beleza em um projeto estruturalmente perfeito, pesquisar as propriedades físicas em acervos técnicos é o caminho mais seguro para evitar rachaduras e empenamentos futuros.
Os 3 Melhores Bancos de Dados de Madeiras do Brasil
1. Banco de Dados do Laboratório de Produtos Florestais (Serviço Florestal Brasileiro)
O Laboratório de Produtos Florestais (LPF) possui uma ótima ferramenta digital para quem trabalha com madeira no Brasil. O banco de dados deles conta com fichas completas de 157 espécies nativas.
O que você encontra lá: Informações completas sobre as principais características da espécie, sua trabalhabilidade (se é fácil de aplainar, colar ou fixar pregos e parafusos), retratibilidade (estabilidade dimensional) e propriedades mecânicas como flexão e compressão.
O "Pulo do Gato": O LPF desenvolveu o aplicativo gratuito Madeiras Comerciais do Brasil (disponível para Android), que funciona como um guia de bolso para identificação macroscópica e consulta rápida de espécies comerciais no dia a dia da oficina ou da madeireira.
2. Informações sobre Madeiras - IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas)
O IPT de São Paulo abriga a famosa Xiloteca Dr. Calvino Mainieri, a maior e mais importante do país. O site do instituto atualmente conta com dados de 80 espécies de madeiras disponibilizadas em fichas técnicas extremamente detalhadas.
O que você encontra lá: Descrições anatômicas detalhadas, propriedades físicas completas, propriedades mecânicas (resistência ao cisalhamento, dureza Janka e flexão estática), características sensoriais (cheiro, sabor, cor, etc.), características de processamento (trabalhabilidade e secagem), principais usos, entre outras.
Para quem serve: Se você precisa projetar móveis pesados que vão receber muita carga, peças estruturais, quer entender exatamente qual o comportamento da madeira na secagem ao ar ou os seus usos mais comuns este é o melhor lugar.
3. Coleção de Espécies Florestais da Embrapa
A Embrapa Florestas mantém um acervo digital de 340 espécies de árvores nativas do Brasil na forma de uma coleção de livros em 5 volumes que pode ser baixado de forma gratuita no site da Embrapa. Seu foco está tanto no cultivo sustentável quanto nas características da madeira, principais produtos e usos das espécies arbóreas brasileiras.
O que você encontra lá: Informações ricas sobre o comportamento silvicultural da árvore e o uso comercial de sua madeira. É excelente para pesquisar tanto madeiras nativas quanto espécies amplamente cultivadas (como variedades de Pinus e Eucalipto).
Através do sistema web as buscas ficam muito mais fáceis, basta realizar o cadastro (Nome e e-mail) e já pode acessar!
Para quem serve: Excelente para quem deseja alinhar o design de móveis com o uso de espécies de reflorestamento ou quer entender a fundo a origem sustentável da matéria-prima.
Comparativo: Qual Banco de Dados Usar?
Para facilitar a sua busca técnica, organizamos um resumo rápido de qual acervo escolher dependendo da sua necessidade imediata:
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Banco de Dados |
Ideal Para |
Principal Diferencial |
Formato de Acesso |
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LPF (Serviço Florestal) |
Consultas rápidas e campo |
Aplicativo móvel para identificação macroscópica em tempo real |
Web e App Android |
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IPT (São Paulo) |
Dados técnicos profundos |
Fichas detalhadas de dureza Janka e retratibilidade por espécie |
Web |
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Embrapa Florestas |
Sustentabilidade e plantio |
Informações de cultivo, ecologia e potencial de uso |
Web e Livros Digitais (PDF) |
Como Pesquisar de Forma Eficiente?
Ao entrar nesses bancos de dados, você pode se deparar com termos científicos complicados. Para não se perder, siga este roteiro simples:
- Sempre busque pelo Nome Científico: Madeiras têm dezenas de nomes populares que variam de região para região (o que é Angico-Fava em uma região pode ser Curupai em outra). O nome científico (Anadenanthera colubrina var. cebil) garante que você está pesquisando a madeira correta.
- Olhe o Coeficiente de Contração: Valores baixos de contração radial e tangencial significam que a madeira é estável. Se os valores forem altos ela vai trabalhar muito, o que pode (provavelmente vai) destruir o seu projeto de marcenaria.
- Fique atento à Dureza Janka: Valores acima de 800 kgf (ou 8000 N) indicam madeiras muito duras (como Ipê ou Jatobá), excelentes para pisos e tampos de mesa, mas que vão te custar muito mais horas de trabalho e/ou ferramentas melhores e/ou mais apropriadas.
Agora que você já sabe onde encontrar as informações científicas para a sua próxima compra de madeira, salve este artigo nos seus favoritos e planeje seu projeto com a precisão de um verdadeiro mestre da marcenaria!





